Insegurança e abandono marcam o Centro de Ceilândia; moradores cobram ação integrada do GDF
- Categoria: Policial
- Publicação: 11/11/2025 12:17
O Centro de Ceilândia, que concentra a maior população do Distrito Federal, enfrenta uma grave crise de segurança e ordem urbana. Moradores e comerciantes relatam um clima de insegurança agravado pelo comércio irregular, pelo tráfico e uso de drogas a céu aberto, e pelo aumento de conflitos envolvendo a população em situação de rua.
Embora os crimes contra o patrimônio tenham registrado uma queda gradual nos últimos anos, a região continua sendo uma das mais afetadas por roubos a pedestres, com 1.847 vítimas somente em 2025. As ocorrências de tráfico de drogas também cresceram, passando de 324 em 2023 para 380 em 2025, o que intensifica a sensação de vulnerabilidade.
Relatos de Abandono e Violência
O advogado Jhonathan Gonçalves Martins, que teve o carro arrombado perto do restaurante comunitário, lamenta a sensação de abandono, descrevendo o centro como uma "área sem lei" onde o comércio está fechando. Ele defende a necessidade de reocupação do espaço com segurança, iluminação, zeladoria e abordagens sociais qualificadas.
A insegurança afeta diretamente os negócios: o proprietário de uma clínica relatou que a violência atingiu um novo nível após ser ameaçado com uma faca por uma pessoa em situação de rua que montou uma barraca na porta do seu estabelecimento. Na mesma semana, um homem foi esfaqueado e morto no local.
Análise de Especialistas e Ações do GDF
O especialista em segurança pública Renato Araújo explica que a alta criminalidade no centro segue um padrão de áreas de grande fluxo. Ele aponta que o comércio informal (a "Feira do Rolo") serve de mercado para a receptação de objetos roubados, o que funciona como o "motor financeiro" da criminalidade. Araújo defende que a solução não está apenas no policiamento, mas em uma presença contínua e organizada do Estado no território, aliando inteligência policial, fiscalização e assistência social.
O GDF informou que:
PMDF e SSP/DF: Reforçam o policiamento com operações como "Ceilândia Segura" e mapeiam as "manchas criminais" para direcionar o efetivo nos horários de pico.
DF Legal: Intensificou as ações de fiscalização para coibir o comércio irregular, com mais de 30 operações desde 2024, visando a devolução dos espaços públicos à população.
Sedes: Realiza abordagens sociais contínuas junto à população em situação de rua. Desde junho de 2024, foram feitas 32 ações de acolhimento em Ceilândia, com 188 pessoas abordadas.
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